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Acertos, Erros e Pataquadas dos eventos nacionais - Parte II
Olá amigos, como combinado na última terça-feira, volto ao blog para escrever sobre os “Acertos, Erros e Pataquadas” dos eventos nacionais. Após comentar sobre a série de deslizes do Bitetti Combat em suas últimas três edições chega à vez do Jungle Fight, evento promovido pelo faixa-preta Wallid Ismail.
Diferente do BC que aposta em grandes nomes, mesmo que alguns não tenham mercado nos grandes eventos internacionais, o Jungle tem uma política diferente, pois acredita em novos talentos para montar seu card. Tanto que em 2008, quatro atletas deixaram o JF para fazer parte do quadro de atletas do Ultimate...
- Paulo Thiago: Fez quatro lutas no evento. Apresentou-se no Jungle Fight 8, 9, 10 e 11, vencendo Leonardo Peçanha, Paulo Caveira, Ferrid Kheder e Luiz Besouro, respectivamente, e logo depois foi contrato pelo UFC
Ronys Torres teve um caminho parecido: Três lutas e três vitorias no evento. Apresentou-se no Jungle Fight 9, 10 e 11, vencendo Francieney Farianzo, Luiz Azeredo e Eliene Silva e de lá contrato com o Ultimate
Além dos brasileiros, outros dois estrangeiros lutaram no Jungle e carimbaram passaporte para o UFC...
O francês Xavier Foupa-Pokam que passou por Felipe Arinelli no Jungle Fight 10 e o americano Todd Duffee que venceu Assuerio Silva no Jungle Fight 11.
Porém, a mesma receita não funcionou em 2009, pois apenas o já consagrado Rogério Minotouro saiu do Jungle para lutar no UFC.
Como manda o bom jornalismo, entrei em contato com Wallid e apresentei esta e outras ponderações. Com quase 30 minutos de conversa o promotor do evento procurou esclarecer as questões....
Durante um bate-papo bem agradavel, ele foi categórico, afirmando que apesar dos atletas não terem saído para o Ultimate, fecharam bons contratos fora do Brasil...
“Além do Minotouro que fechou com o UFC, o Sergio Moraes assinou com o Bellator, o Renan Barão, o Cacareco e Johnny Eduardo assinaram com o Shine Fights entre outros... Estes eu lembrei apenas de cabeça”
Outro problema que sempre vem à tona no JF são os atletas empresariados por Wallid lutando no evento que ele promove. Apesar de não haver nenhuma decisão polêmica envolvendo estes lutadores sempre pode pintar a dúvida, porém, o produtor esclareceu tal polêmica.
“Eu sou presidente do evento e quem cuida do casamento das lutas é o Carlão Barreto, o Bebeo Duarte e o Marcos Vinicius. Eu prefiro ficar longe desta parte para não dar polêmica, pois minha vida sempre foi pautada na transparência”, afirma Wallid. “Tanto que o Ivan Pitbull é empresariado por mim e lutou contra o cara mais duro em Vila Velha (Rodrigo Damm)”, completou Wallid. Quando perguntado sobre quais atletas ele cuida da carreira, o empresário preferiu não citar nomes.
“Todos os atletas que lutam no Jungle querem que eu cuide da carreira pra eles, mas meu foco é promover o evento. Se eu cuido da carreira de um lutador e outro cara acha luta pra ele, tudo bem, boa sorte, porque meu objetivo maior é ser promotor do Jungle”.
Esta colocação foi pra lá de esclarecedora, pois a principio tira qualquer dúvida no casamento de lutas e dos resultados nela apresentados. BOLA DENTRO do Jungle Fight
Outro ponto do apresentado ao promotor foi o patrocínio de prefeituras, governos e políticos aos eventos... Wallid mais uma vez tentou esclarecer a questão
“As prefeituras não me apóiam com dinheiro, eles ajudam na infra-estrutura do evento, com locais para realização e com ambulâncias, mas quem paga bolsa de atleta sou eu. Tem muito evento por aí que não paga os lutadores porque conta com o dinheiro de bilheteria”, afirma o faixa-preta de Carlson Gracie. “O pessoal que critica o apoio do governo nos eventos deveria pensar que o Banco do Brasil que é público patrocina a seleção de vôlei, a Caixa Econômica Federal que é pública patrocina o atletismo e a Eletrobrás patrocina o Vasco então criticar o Jungle não faz sentido”
Na primeira parte da declaração concordo com o Wallid, não vejo problemas na ajuda das prefeituras ou governos na infra-estrutura do evento, apesar de acreditar que alguns políticos usam o evento e a transmissão da TV como propaganda política.
Já na segunda parte da declaração sou obrigado a discordar, o Banco do Brasil tem boa parte de ações comercializadas e a Caixa Econômica, mesmo sendo um órgão público precisa vender seus produtos, portanto, deve anunciar e evidenciar sua marca para não perder clientes para os bancos privados como Itaú, Bradesco, HSBC ou Santander...
No caso da Eletrobrás, realmente, não faz o menor sentido apoiar um grande clube de futebol, pois ela não tem nenhum interesse publicitário a não ser algo como “pague sua conta de luz”.....
Portanto neste ponto, continuo a acreditar que as prefeituras ajudam a promover o show muitas vezes para esconder os desleixos de seus governos e esquecem de esporte de formação, como meio de inclusão social do adolescente....
Outro ponto esclarecido por Walid é a questão do show ser realizado ora em ringues e ora em octógono.
“Realmente eu preciso definir isso porque o ringue é melhor para quem assiste ao vivo e o octógono é melhor para quem assiste em casa e para a televisão também, mas estou pensando em algo novo um ringue redondo, com grades, feito por um dos maiores arquitetos do mundo”, afirmou o empresário.
Para encerar não poderíamos deixa de fora o evento no Espírito Santo realizado embaixo de chuva, fato tão criticado pelo público que não esteve em Vila Velha. A maior comprovação de tal fato é que na enquete realizada pelo SUPER LUTAS 68,5% dos 340 votos opinarão que a chuva prejudicou o show. Porém, Wallid volta a ressaltar que a chuva não prejudicou em nada o bom andamento das lutas...
“A chuva não prejudicou... Todos os atletas queriam lutar e o lutador sabe o que é bom pra ele”, afirmou. Quando questionei que o atleta quer lutar de qualquer maneira Wallid discordou. “O lutador não luta em qualquer lugar não. Eles são guerreiros, mas são profissionais. Ninguém que estava presente no evento achou que a chuva atrapalhou”, disse. “Você já viu F-1? Existe algo mais perigoso que F-1 e quando chove eles param a corrida? Quando tem um jogo de futebol, eles param o jogo no meio pela chuva?”, questionou.
A questão da chuva é muito complicada, pois se a Formula 1 corre na chuva, no tênis que sequer tem contato entre os jogadores, quando cai um pingo de água a partida é paralisada......
Sou um dos que acredita que se houvesse a possibilidade do evento ser realizado no domingo, um dia após aquela chuva seria o ideal......Assim como também acredito que o lutador precisa de lutar para pagar as contas e portanto lutaria até dentro do mar....Por outro lado, sou obrigado a concordar que nenhuma luta teve a chuva atrapalhando na trocação ou na tentativa de finalização de algum atleta....
Para encerar, deixo claro que respeito muito o Wallid e o Jungle Fight, pelos grandes lutadores que passaram pelo ringue e, sinceramente, espero que o show se promova e revele grandes atletas como fez em mais de sete anos de historia, porém, acho que estas colocações sejam levadas pelo aprimoramento do show... Deixo a última mensagem para Wallid Ismail.
“O Jungle Fight é o melhor evento da América Latina porque ninguém mais do que eu se esforça para o bem do MMA. A minha vida inteira só fiz isso, então não sou nenhum aventureiro. Eu nunca fui mecânico, nunca fui professor ou qualquer outra coisa. Na minha vida inteira eu fui lutador e agora sou promotor de evento”
Na minha opinião o Jungle é realmente o maior evento da América Latina por sua história e principalmente pela continuidade do trabalho, porém, não se deve parar o tempo e não parar de tentar melhorar, sempre.......
Então é isso pessoal...
Abraços e até a próxima.