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Improvável e histórico
Quando foi confirmada há alguns meses, a disputa entre Anderson ‘The Spider’ Silva e Chael Sonnen não tinha elementos suficientes para se tornar propriamente inesquecível para fãs e especialistas em MMA. A previsão era que o estilo forte, mas limitado, do norte-americano não seria páreo para os talentos múltiplos do Aranha.
Adiciona-se a isso tudo, a empáfia sem limites de Sonnen, que soava cada vez mais forçada com ofensas de todas as maneiras para apimentar a chance de exterminar o reinado mais inegável na história dos médios no UFC.
O velho ditado funcionou às avessas. Sonnen falou e fez. Tanto, que convenceu a si próprio que o gosto da vitória seria possível. E foi, durante quase 23 minutos. Em cinco rounds, o wrestler derrubou o campeão como quis, e o surrou como quis. Anderson, apático e praticamente o tempo todo com as costas na lona do octógono, limitava-se a se defender dos ataques avassaladores do desafiante.
As estatísticas indicam que Anderson foi atingido nesta luta (270 golpes) mais vezes do que em toda a carreira de mais de dez anos no MMA (209). O semblante era um misto de surpresa e preocupação. Desta vez, não havia tempo para imitações ou brincadeiras.
Do improvável, surgiu o histórico. Foi a primeira vez que um campeão perdeu claramente todos os rounds e virou o jogo no final, de forma espetacular.
O triângulo milagroso aplicado pelo Aranha entra para o livro das manobras mais fantásticas da modalidade. Um dos artifícios mais básicos do jiu-jitsu, e que traduz a essência da arte marcial da família Gracie:qualquer desvantagem pode ser revertida. Novamente, o golpe se mostrou funcional, tanto para um faixa branca com poucos meses de treino, quanto para um campeão do mais alto gabarito.
No geral, o prospecto do combate lembrou os velhos tempos das disputas clássicas de vale-tudo entre strikers e glapplers, quando os primeiros geralmente passaram tremendo sufoco por não conseguirem se manter em pé para aplicar golpes, e eram levados com facilidade ao chão.
Mas os tempos são outros. Quem almeja lugar de destaque no MMA moderno precisa não só dominar os três aspectos da modalidade (quedas, golpes em pé e luta de chão) como ter várias cartas escondidas na manga. Anderson, um striker por excelência, precisou de só uma.
No outro lado, a pose de anti-heroi, a postura crua e calculista de luta garantiu a Sonnen aumento significativo na porcentagem de fãs. A antipatia se diluiu em carisma, atestou sua evolução como lutador e convenceu muitos. O americano não é mais um só cara chato e falastrão. Ele agora é um cara polêmico... e perigoso. Afinal, todo circo que criou obteve resultados na teoria. Na prática, faltou pouco mais de um minuto.
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5 comentários
Afinal, finalizar o Chael que já foi finalizado várias vezes não é tão improvavel, ate mesmo para alguém que tinha perdido todos dos rounds
abração, obrigado pelo comentário.
- Como pode um cara ficar quase 5 Rounds em cima socando, e no final o seu adversário só sai reclamando de dor na costela trincada antes da luta, e sem nenhum corte no rosto... enquanto ele saiu com o supercílio aberto e finalizado. acho que posso dizer que Sonnen não é muito eficiente no Ground And Pound. e mais, fora os motivos comerciais, perguntaria. - Por que se fará a revanche, se não houve contestação do resultado ? diferente da 1 luta de Shogum e Lyoto. Se fosse assim teriamos que ter revanche das lutas de Minotauro e Crop cop, Bob Sapp e muitas em que o jiu jitsu venceu. abraço.
Gostaria só de comentar sobre uma errata na edição de ontem do diário... no qual vc fala dos melhores lutadores peso por peso da atualidade.
A foto do #7 - Dominick Cruz na verdade é do ex-campeão Urijah Faber!!
Muito legal a coluna!! continue com o bom trabalho!! São raros os lugares em português que é possível acompanhar as notícias de MMA.
Aquele abraço!
Cesar.