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Badr Hari, amigo de ninguém
O anúncio de que o lutador marroquino Badr Hari se afastou temporariamente de todas as competições oficiais para ‘esfriar a cabeça’ após mais uma desclassificação (chutou a cabeça de Hesdy Gerges caído ao chão, na última edição da lotadíssima arena de Amsterdã do It´s Showtime, na Holanda) não deve ser encarado como fato tão impressionante assim. Também não soa puramente como golpe de marketing ou coisa do tipo, mas como mera consequência do que já havia se tornado inconsequente.
Fontes sempre presentes nos bastidores do K-1 afirmam que o temperamento hostil de Hari sempre se sobrepôs ao estilo provocativo tradicionalmente utilizado por muitos lutadores para promover os combates. Ele nunca soube realmente separar o suposto profissionalismo do lado pessoal.
Muitas vezes foi comum vê-lo tratar com descaso e agressividade os oponentes em momentos de casualidade antes das lutas, como encontros em saguões de hotel ou mesmo pelas ruas japonesas, muitas vezes com direito a ‘dedo na cara’, ‘turma do deixa disso’, e muito mais. Dizem também que o temperamento do lutador melhorou bastante de 2008 para 2009, mas o último episódio em Amsterdã o tornou reincidente.
O primeiro 'papelão' explícito aconteceu em plena final do K-1 em 2008, quando socou e pisou na cabeça de Remy Bonjasky caído ao chão no segundo round e foi imediatamente eliminado da competição. Na ocasião, um repórter marroquino o entrevistou logo após a luta: ‘atacar o adversário no chão é sumariamente ilegal. Por que fez aquilo?’. Hari: ‘também é ilegal andar de bicicleta na calçada’, minimizou o lutador, com sorriso irônico.
Provavelmente já disse isso algumas vezes por aqui e repito. A impessoalidade de subir ao ringue, trocar golpes e medir habilidades com outra pessoa pode ser relativa. Lutas de contato têm diversos fatores psicológicos envolvidos. Mas o profissionalismo não. Esse tem de ser incontestável e praticado com rigor até a última gota.
Difícil também tentar traçar qualquer paralelo sobre o futuro do atleta. Talvez essa própria 'mea-culpa' que culminou com o afastamento seja o primeiro passo para colocar tudo no lugar e voltar a valorizar o talento nato sempre diferencial e presente nos bons momentos da carreira.
Mal para o esporte e péssimo para quem eu considerava de olhos fechados o mais cotado para finalmente fazer frente ao reinado de Semy Schilt no K-1 na temporada deste ano. Fama de ‘bad boy’ é condizente dentro do ringue e dentro das regras. No pós-luta, vale a camaradagem. Mas pelo jeito, Badr Hari cada vez mais é ‘amigo de ninguém’.
Direto e reto!
Previsões para o UFC 115 de sábado
Card principal
Chuck Liddell x Rich Franklin: Luta morna. Não há muito como negar que Liddell deve vir relativamente desmotivado com a desistência do Tito Ortiz. Não gosto muito do jogo do Franklin também. Vou de Chuck, por pontos.
Mirko Crocop x Pat Barry: Crocop, por nocaute. O croata plenamente recuperado das cirurgias e chutando com a esquerda novamente é outro papo (tomara que eu não queime a língua). Barry é kickboxer. Minha expectativa é pela melhor trocação da noite.
Paulo Thiago x Martin Kampmann: Aposto no brasileiro, que vem de duas vitórias consecutivas (e convincentes). Mas o dinamarquês vem de finalização sobre Volkmann no UFC 108 e pode dar trabalho.
Gilbert Yvel x Ben Rothwell : Yvel tem extenso cartel, cheio de altos e baixos por causa do temperamento instável. Arrisco em Rothwell, por decisão dividida.
Carlos Condit x Rory MacDonald: Condit já mostrou bom arsenal de finalizações, da mesma forma que o invicto adversário. A experiência maior de Condit pode ser diferencial. Aposto nele, com mais uma finalização.
Tyson Griffin x Evan Dunham: Griffin acaba com a invencibilidade de Dunham, por nocaute.
Brasileiros no card preliminar
Ricardo Funch x Claude Patrick: o brasileiro fará a terceira apresentação no UFC e vai pegar um lutador da casa (Canadá), que estréia no evento. Funch, por pontos.
Mário Miranda x David Loiseau: O carioca vence com tranquilidade o canadense, por pontos.
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3 comentários
Mas ele acaba, realmente, por jogar tudo isso por água a baixo e fazer muita gente odiá-lo pelas atitudes ridículas dentro e fora do ringue.
já ouvi dizer que ele bateu na esposa, queimou a casa onde moravam..
Sem contar os vídeos de confusões nos bastidores.
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