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Entrevista exclusiva - Ernesto 'Mr. Perfect' Hoost
Tetracampeão do K-1 e com 119 lutas de um cartel mais que bem-sucedido, Ernesto ‘Mr. Perfect’ Hoost dispensa grandes apresentações. Aos 44 anos e aposentado dos ringues desde 2006, um dos maiores ícones do K-1 atualmente se dedica a treinar novos talentos e ministra seminários ao redor do mundo.
Brevemente, o lendário lutador holandês desembarcará no Brasil pela primeira vez (24 e 25 de julho, para seminários em Campinas e Curitiba), justamente para uma série de aulas especiais onde transmitirá um pouco da vasta experiência como um dos mais vitoriosos ‘strikers’ do planeta.
Conhecido por combates históricos, golpes de timing perfeito e diversas habilidades no ringue (entre elas, a famosa ‘sequência letal’ do direto/gancho/ lowkick), Hoost concedeu esta entrevista exclusiva onde mostra o ponto de vista embasado sobre todo contexto dos esportes de combate, além de casos marcantes da carreira, as performances dos compatriotas na fase atual do K-1 e também sequelas ainda ‘não-digeridas’ das derrotas para o norte-americano Bob Sapp.
Esta será a primeira visita ao Brasil. Qual o foco do evento?
Estou bem ansioso pela viagem. Principalmente por ser perto de meu país de origem da minha família, o Suriname. Isso certamente me dará o gostinho de estar em casa. O foco do seminário será o de sempre: minha visão pessoal sobre tudo que envolve o kickboxing/thaiboxing.
A Holanda produziu até agora 90% dos campeões do K-1. Na sua visão, qual o segredo do país ser tão eficiente nos combates em pé?
Os holandeses são lutadores natos há séculos. Além disso, há excelentes caratecas e thaiboxers ‘importados’ de seus países de origens há muito tempo, que realizam trabalho a longo prazo. Eles puderam interagir e aprender o que há de melhor nas técnicas de mãos e pés em conjunto, o que serviu para desenvolver as modalidades de forma intensa e muito personalizada. A Holanda também é um país pequeno, o que facilita os melhores se enfrentarem constantemente. Isso fortalece bastante todo contexto e popularidade destes esportes.
Você e outros da mesma geração ficaram conhecidos por ‘marcas registradas’ (combinações, golpes especiais) que proporcionavam muita personalidade e espírito aos combates. Acha que tem faltado isso para os lutadores de hoje?
No começo do K-1, a diferença de qualidade entre os atletas era mais elevada, o que forçava muitos a extrair com perfeccionismo sempre o melhor que tinham como diferencial para vencer. Hoje em dia, vejo o nível dos competidores bem mais equiparado. É muito complicado se estabelecer apenas na base da atitude. É bem mais arriscado sair fora da fórmula pré-estabelecida para vencer, o que deixa tudo bem menos espontâneo. Mas faz parte da evolução.Uma vez você disse que ‘Highlander’ é um de seus filmes favoritos. Isso poderia indicar, de alguma forma, que ainda o veremos de volta aos ringues?
Disse isso quando ainda lutava. Agora não tem mais tanto fundamento.
Ainda considera as derrotas para Bob Sapp o ponto mais baixo da carreira? Como está isso na sua cabeça após todos esses anos?
(Bob) Sapp ainda é o maior ‘ponto negro’ da minha trajetória. Aceitei todas as outras derrotas, mas aquelas ainda não consegui digerir direito, mesmo após todo esse tempo.
Se um novo desafio com ele (Sapp) fosse confirmado, Mr. Perfect teria motivos para calças luvas novamente?
Contra ele poderia ser possível. Quem sabe...
E os brasileiros no K-1? Ewerton Teixeira tem condições de superar os feitos de Glaube Feitosa e Franscisco Filho?
É bem complicado. Filho tem o nome extremamente sólido no Japão, e ambos (Francisco e Glaube) já foram finalistas do K-1. Acho que só se Teixeira for campeão vai ultrapassar as conquistas de seus antecessores.
Qual vitória teve sabor mais especial em todo esse tempo?
Quando ganhei o Grand Prix, no final de 1999. (Francisco) Filho havia me nocauteado facilmente em uma luta casada pouco antes naquele ano. Após esse ‘trauma’, ninguém esperava que eu pudesse voltar a vencer um Grand Prix. Mas eu o fiz, e de forma espetacular.
O que muito se fala atualmente é que o K-1 gradativamente perde a essência de tempos atrás, e que poderio técnico dos lutadores é deixado cada vez mais em segundo plano. Você concorda?
Hoje em dia não vejo mais muito interesse dos organizadores em saber ‘quem é o melhor’, e sim em saber ‘quem vende mais ingressos’ e ‘quem dá mais audiência na televisão’. É isso.
Se Semy Schilt faturar o pentacampeonato do K-1 neste ano, ele o superará em número de conquistas. Mesmo assim, muito se fala que ele jamais poderia ser considerado melhor que você, e nunca conseguirá ir além do seu legado, mesmo se vencer o GP dez vezes. Isso tem fundamento?
Difícil falar sobre isso. Semy não é má pessoa, mas ele realmente não tem aura de campeão. E não falo isso em sentido depreciativo. Esse fato, inclusive, é bastante prejudicial para ele, porque é o cara mais difícil de ser vencido no K-1, mas sempre surgem dúvidas sobre a sua (dele) real capacidade. Mesmo assim, se dizem que ele nunca vai superar meu legado, considero um grande elogio.
Você assiste MMA também? Quais lutadores gosta de ver em ação?
Gosto bastante, em particular do UFC. Georges St. Pierre e Fedor Emilianenko são meus favoritos. O brasileiro Maurício 'Shogun' Rua também é muito bom. Suas habilidades no muay thai são perfeitamente condizentes para as disputas de MMA.
Por falar nisso, você ainda treina com o Fedor? Como começou essa parceira entre vocês?
Não treinamos mais juntos. Nos conhecemos após uma luta. Queria uma foto com ele, e ele queria uma comigo. Depois, treinamos um pouco juntos. Mas o mais interessante foi saber que tínhamos diversas coincidências em comum, como a mesma rotina pré e pós-luta, entre outros detalhes. Usávamos também os mesmos métodos de concentração para entrarmos focados ao extremo nos combates.
Após todos esses anos de socos, chutes, nocautes e glórias, qual palavra sintetizaria sua carreira como lutador?
‘Privilégio’ é a melhor palavra. Sou um grande privilegiado por estar tanto tempo no circuito dos melhores lutadores.
Uma coisa
HL completão de Mr. Perfect
Outra coisa
Clássico absoluto!
Mais uma coisa
meu twitter: @fercappelli
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4 comentários
Mais mesmo assim é lenda da trocacao
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