UFC 113 – A revanche (instantânea) do ano

Pois é. Da mesma forma que muitos outros palpiteiros, também queimei a língua na revanche do ano do UFC 113. Não porque familiarizo mais com o Machida do que o Shogun (ou vice-versa), mas achei realmente que o combate entre os meio-pesados brasileiros teria um caminho totalmente diferente do que o término pela via rápida em pouco mais de dois minutos.

Se como dizem por aí que o melhor da festa é esperar por ela, Shogun teve em sete meses tempo hábil de sobra para estudar cada movimento do estilo pouco ortodoxo tão característico do carateca. A expectativa estava toda traçada para um combate entre dois dos maiores ‘enxadristas’ do MMA.

Mas no fim das contas, o paranaense deixou de lado boa parte das complexidades táticas e usou o mais puro instinto de ataque para achar a brecha perfeita no jogo calculista do adversário. Assim, faturou o cinturão com nocaute histórico… e praticamente instantâneo.

Pura guerra de nervos!

Nervos que para o ex-campeão, inclusive, também pareceram ter peso-extra. Era visível que toda carga de lutador místico, diferenciado – e invencível – que carregava já começava a extrapolar limites e se tornava um fardo cada vez mais pesado. Nos momentos da transmissão antes da luta em que o focalizaram no vestiário ou no caminho do octagon, seu semblante parecia incomodado e bem longe daquele típico de concentração máxima das últimos desafios.

O desenho do combate comprovou isso. Machida estava desconfortável. Tentou a troca constante de base para confundir o adversário e os já tradicionais passos laterais para escapar das investidas com socos em linha (a prioridade) de Shogun. Mas desta vez, não foi suficiente.

Arrisco dizer que o revés não foi de todo mal para Lyoto. Agora a fase vai ser de aparar arestas e aperfeiçoar cada vez mais o plano de luta na rotina sempre militar de treinamentos.Mas tudo isso com a consciência mais apurada de que todo mundo está sujeito a ter dias ruins. Derrotas inesperadas sempre calejam bem mais do que as anunciadas, e o ‘mito da invencibilidade’, de acordo com as circunstâncias, é benéfico quando vai por água abaixo.

Para o novo campeão, a partir de agora a trajetória requer cautela. O índice de rotatividade de posse do cinturão nos meio-pesados tem se mostrado cada vez maior nos últimos tempos no UFC. O desafio maior começa justamente na tentativa de permanecer com o título. O reinado de Lyoto e do caratê Machida demorou menos de um ano para acabar. E agora, como será?


Uma coisa

Video bacana de treinos do Shogun

 

 

Outra coisa

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