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Improvável e histórico

Quando foi confirmada há alguns meses, a disputa entre Anderson ‘The Spider’ Silva e Chael Sonnen não tinha elementos suficientes para se tornar propriamente inesquecível para fãs e especialistas em MMA. A previsão era que o estilo forte, mas limitado, do norte-americano não seria páreo para os talentos múltiplos do Aranha.

Adiciona-se a isso tudo, a empáfia sem limites de Sonnen, que soava cada vez mais forçada com ofensas de todas as maneiras para apimentar a chance de exterminar o reinado mais inegável na história dos médios no UFC.

O velho ditado funcionou às avessas. Sonnen falou e fez. Tanto, que convenceu a si próprio que o gosto da vitória seria possível. E foi, durante quase 23 minutos. Em cinco rounds, o wrestler derrubou o campeão como quis, e o surrou como quis. Anderson, apático e praticamente o tempo todo com as costas na lona do octógono, limitava-se a se defender dos ataques avassaladores do desafiante.

As estatísticas indicam que Anderson foi atingido nesta luta (270 golpes) mais vezes do que em toda a carreira de mais de dez anos no MMA (209). O semblante era um misto de surpresa e preocupação. Desta vez, não havia tempo para imitações ou brincadeiras.

Do improvável, surgiu o histórico. Foi a primeira vez que um campeão perdeu claramente todos os rounds e virou o jogo no final, de forma espetacular.

O triângulo milagroso aplicado pelo Aranha entra para o livro das manobras mais fantásticas da modalidade. Um dos artifícios mais básicos do jiu-jitsu, e que traduz a essência da arte marcial da família Gracie:qualquer desvantagem pode ser revertida. Novamente, o golpe se mostrou funcional, tanto para um faixa branca com poucos meses de treino, quanto para um campeão do mais alto gabarito.

No geral, o prospecto do combate lembrou os velhos tempos das disputas clássicas de vale-tudo entre strikers e glapplers, quando os primeiros geralmente passaram tremendo sufoco por não conseguirem se manter em pé para aplicar golpes, e eram levados com facilidade ao chão.

Mas os tempos são outros. Quem almeja lugar de destaque no MMA moderno precisa não só dominar os três aspectos da modalidade (quedas, golpes em pé e luta de chão) como ter várias cartas escondidas na manga. Anderson, um striker por excelência, precisou de só uma.

No outro lado, a pose de anti-heroi, a postura crua e calculista de luta garantiu a Sonnen aumento significativo na porcentagem de fãs. A antipatia se diluiu em carisma, atestou sua evolução como lutador e convenceu muitos. O americano não é mais um só cara chato e falastrão. Ele agora é um cara polêmico… e perigoso. Afinal, todo circo que criou obteve resultados na teoria. Na prática, faltou pouco mais de um minuto.

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Papo-Aranha

Anderson não é apenas mais um Silva do Brasil. É o campeão peso médio do UFC, melhor atleta peso por peso em 99% dos rankings modernos de MMA, e o homem mais temido do mundo nos esportes de combate.

O currículo vistoso, porém, não o impede de sofrer com as agruras dos momentos céu e inferno típicos dos talentos natos. E nesse sentido, podemos dizer que atualmente ocupa um meio-termo.

A empáfia do campeão nas três últimas apresentações dentro do octógono potencializou todo contexto das críticas recentes. Tirando o lampejo brilhante da atuação que culminou com o nocaute sobre Forrest Griffin no primeiro round (UFC 101), Anderson venceu Thales Leites (UFC 97) e Demian Maia (UFC 112) pelo mínimo.

Mínimo que não é o máximo para quem assiste ou participa ativamente do business de algo tão rentável. O público ficou mal acostumado com os shows proporcionados pelo estilo polivalente presente nos melhores momentos do Aranha. E sempre espera algo mais.

O chefão Dana White também. Visivelmente cansado da supremacia do brasileiro, se esmera em criar cada vez mais dificuldades para tirá-lo do trono dos médios.

Neste UFC 117, o ‘bola da vez’ é o caipirão norte-americano Chael Sonnen, que veio com discurso ensaiado na tentativa de colocar mais lenha na fogueira de todo contexto de bastidores desfavorável ao campeão. Declarações de extremo mau gosto e que beiraram o xenofobismo.

White, que tanto criticou o comportamento do brasileiro e disse que não toleraria mais qualquer grau de provocações baratas, não se pronunciou ou alertou sobre o abuso verbal do compatriota. O business realmente tem dois lados.

Tomara que tudo isso funcione como psicologia invertida para Anderson, e este volte a vencer – e convencer – pelo máximo. O mínimo, realmente, tem de ser deixado para trás. Com ou sem soberba.

Na prática, dá para prever o previsível. Sonnen voando nas pernas de Silva o tempo todo para tentar os takedowns e o ground and pound por 25 minutos. Mas se for pego no clinch de muay thai ou quiser trocar em pé, será fatal.

Aposto em nocaute do Aranha no terceiro round.

E você? Concorda?

 

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Badr Hari, amigo de ninguém

O anúncio de que o lutador marroquino Badr Hari se afastou temporariamente de todas as competições oficiais para ‘esfriar a cabeça’ após mais uma desclassificação (chutou a cabeça de Hesdy Gerges caído ao chão, na última edição da lotadíssima arena de Amsterdã do It´s Showtime, na Holanda) não deve ser encarado como fato tão impressionante assim. Também não soa puramente como golpe de marketing ou coisa do tipo, mas como mera consequência do que já havia se tornado inconsequente.

Fontes sempre presentes nos bastidores do K-1 afirmam que o temperamento hostil de Hari sempre se sobrepôs ao estilo provocativo tradicionalmente utilizado por muitos lutadores para promover os combates. Ele nunca soube realmente separar o suposto profissionalismo do lado pessoal.

Muitas vezes foi comum vê-lo tratar com descaso e agressividade os oponentes em momentos de casualidade antes das lutas, como encontros em saguões de hotel ou mesmo pelas ruas japonesas, muitas vezes com direito a ‘dedo na cara’, ‘turma do deixa disso’, e muito mais. Dizem também que o temperamento do lutador melhorou bastante de 2008 para 2009, mas o último episódio em Amsterdã o tornou reincidente.

O primeiro ‘papelão’ explícito aconteceu em plena final do K-1 em 2008, quando socou e pisou na cabeça de Remy Bonjasky caído ao chão no segundo round e foi imediatamente eliminado da competição. Na ocasião, um repórter marroquino o entrevistou logo após a luta: ‘atacar o adversário no chão é sumariamente ilegal. Por que fez aquilo?’. Hari: ‘também é ilegal andar de bicicleta na calçada’, minimizou o lutador, com sorriso irônico.

Provavelmente já disse isso algumas vezes por aqui e repito. A impessoalidade de subir ao ringue, trocar golpes e medir habilidades com outra pessoa pode ser relativa. Lutas de contato têm diversos fatores psicológicos envolvidos. Mas o profissionalismo não. Esse tem de ser incontestável e praticado com rigor até a última gota.

Difícil também tentar traçar qualquer paralelo sobre o futuro do atleta. Talvez essa própria ‘mea-culpa’ que culminou com o afastamento seja o primeiro passo para colocar tudo no lugar e voltar a valorizar o talento nato sempre diferencial e presente nos bons momentos da carreira.

Mal para o esporte e péssimo para quem eu considerava de olhos fechados o mais cotado para finalmente fazer frente ao reinado de Semy Schilt no K-1 na temporada deste ano. Fama de ‘bad boy’ é condizente dentro do ringue e dentro das regras. No pós-luta, vale a camaradagem. Mas pelo jeito, Badr Hari cada vez mais é ‘amigo de ninguém’.

Direto e reto!

Previsões para o UFC 115 de sábado

Card principal

Chuck Liddell x Rich Franklin: Luta morna. Não há muito como negar que Liddell deve vir relativamente desmotivado com a desistência do Tito Ortiz. Não gosto muito do jogo do Franklin também. Vou de Chuck, por pontos.

Mirko Crocop x Pat Barry: Crocop, por nocaute. O croata plenamente recuperado das cirurgias e chutando com a esquerda novamente é outro papo (tomara que eu não queime a língua). Barry é kickboxer. Minha expectativa é pela melhor trocação da noite.

Paulo Thiago x Martin Kampmann: Aposto no brasileiro, que vem de duas vitórias consecutivas (e convincentes). Mas o dinamarquês vem de finalização sobre Volkmann no UFC 108 e pode dar trabalho.

Gilbert Yvel x Ben Rothwell : Yvel tem extenso cartel, cheio de altos e baixos por causa do temperamento instável. Arrisco em Rothwell, por decisão dividida.

Carlos Condit x Rory MacDonald: Condit já mostrou bom arsenal de finalizações, da mesma forma que o invicto adversário. A experiência maior de Condit pode ser diferencial. Aposto nele, com mais uma finalização.

Tyson Griffin x Evan Dunham: Griffin acaba com a invencibilidade de Dunham, por nocaute.


Brasileiros no card preliminar

Ricardo Funch x Claude Patrick: o brasileiro fará a terceira apresentação no UFC e vai pegar um lutador da casa (Canadá), que estréia no evento. Funch, por pontos.

Mário Miranda x David Loiseau: O carioca vence com tranquilidade o canadense, por pontos.

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Werdum e a ‘chance de ouro’

Se todos os olhos dos aficionados e especialistas em MMA estarão focados no retorno do russo Emilianenko Fedor dia 26 de junho, pelo Strikeforce, do outro lado o brasileiro Fabrício Werdum está ciente do papel de ‘desafiante da vez’ e que a expectativa em carimbar a derrota no cartel de uma das maiores unanimidades do esporte fatalmente o fará entrar para a história.

A pouco menos de um mês para o combate, Werdum está na fase final de preparação e concedeu este bate-papo exclusivo ao Blog diretamente dos Estados Unidos. O lutador preferiu adotar a filosofia de ‘pés no chão para analisar’ o desenrolar do combate, mas despistou que encara qualquer aspecto do compromisso com ares de ‘missão impossível’.

“Algo só é assim (impossível) até que aconteça pela primeira vez. Na época do Pride, o Tom Erikson era um fenômeno, ninguém queria lutar com ele. Mas encarei o desafio e o venci. Foi uma disputa ‘cerebral’ ao extremo. Respeito o Fedor por tudo que ele fez, mas respeito muito mais todo esforço necessário que me trouxe onde estou”, disse.

O brasileiro ressaltou que todos os imbróglios contratuais já característicos na carreira do russo (que sempre torna incerto e atrasa todo trâmite de confirmação dos combates), não foi empecilho para o treinamento, reforçado em vários aspectos técnicos, mas sem mudanças drásticas no geral.

“Minha base de luta continuará a mesma. Claro que ele (Fedor) exige atenção especial em alguns pontos. Não vou subir muito meu peso, quero lutar entre 105 a 108kg. Mas a estratégia basicamente será a de sempre: anular os pontos fortes dele e impor os meus”, resumiu.

Se Werdum preferiu manter o discurso usual da discrição sobre detalhes do plano tático para o duelo mais importante da carreira, falou abertamente – e com ressalvas – sobre o clima que precede o combate.

Tenho recebido apoio de muita gente. Mas acho que o brasileiro ainda tem de aprender a ser mais patriota no geral, e não apenas na Copa do Mundo. Vejo que muitos (brasileiros) estão na torcida pelo Fedor, acho isso triste. Mas por outro lado me dá ainda mais vontade de trazer essa vitória para todos que acreditam no meu trabalho”, desabafou.

Consciente de que não pode se dar o luxo de cometer qualquer erro contra o oponente, Werdum afirmou que a falta de referência sobre as atuais condições físicas e técnicas do adversário (não luta desde novembro do ano passado e comumente é avesso à qualquer apelo de mídia), não deve ser levada em conta em nenhum sentido.

“Não preciso saber onde ele mora ou treina para saber que ele vai estar 100%, como sempre. Ele sempre será diferenciado e o cara a ser batido”, endossou o brasileiro, que no primeiro encontro com a família Emilianenko, em 2006, venceu o irmão caçula de Fedor, Aleksander, por finalização no primeiro round (katagatame).

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O primeiro encontro com o clã Emilianenko

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A pedreira ‘cerebral’

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Entrevista exclusiva – Ernesto ‘Mr. Perfect’ Hoost

Tetracampeão do K-1 e com 119 lutas de um cartel mais que bem-sucedido, Ernesto ‘Mr. Perfect’ Hoost dispensa grandes apresentações. Aos 44 anos e aposentado dos ringues desde 2006, um dos maiores ícones do K-1 atualmente se dedica a treinar novos talentos e ministra seminários ao redor do mundo.

Brevemente, o lendário lutador holandês desembarcará no Brasil pela primeira vez (24 e 25 de julho, para seminários em Campinas e Curitiba), justamente para uma série de aulas especiais onde transmitirá um pouco da vasta experiência como um dos mais vitoriosos ‘strikers’ do planeta.

Conhecido por combates históricos, golpes de timing perfeito e diversas habilidades no ringue (entre elas, a famosa ‘sequência letal’ do direto/gancho/ lowkick), Hoost concedeu esta entrevista exclusiva onde mostra o ponto de vista embasado sobre todo contexto dos esportes de combate, além de casos marcantes da carreira, as performances dos compatriotas na fase atual do K-1 e também sequelas ainda ‘não-digeridas’ das derrotas para o norte-americano Bob Sapp.

Esta será a primeira visita ao Brasil. Qual o foco do evento?

Estou bem ansioso pela viagem. Principalmente por ser perto de meu país de origem da minha família, o Suriname. Isso certamente me dará o gostinho de estar em casa. O foco do seminário será o de sempre: minha visão pessoal sobre tudo que envolve o kickboxing/thaiboxing.

A Holanda produziu até agora 90% dos campeões do K-1. Na sua visão, qual o segredo do país ser tão eficiente nos combates em pé?

Os holandeses são lutadores natos há séculos. Além disso, há excelentes caratecas e thaiboxers ‘importados’ de seus países de origens há muito tempo, que realizam trabalho a longo prazo. Eles puderam interagir e aprender o que há de melhor nas técnicas de mãos e pés em conjunto, o que serviu para desenvolver as modalidades de forma intensa e muito personalizada. A Holanda também é um país pequeno, o que facilita os melhores se enfrentarem constantemente. Isso fortalece bastante todo contexto e popularidade destes esportes.

Você e outros da mesma geração ficaram conhecidos por ‘marcas registradas’ (combinações, golpes especiais) que proporcionavam muita personalidade e espírito aos combates. Acha que tem faltado isso para os lutadores de hoje?

No começo do K-1, a diferença de qualidade entre os atletas era mais elevada, o que forçava muitos a extrair com perfeccionismo sempre o melhor que tinham como diferencial para vencer. Hoje em dia, vejo o nível dos competidores bem mais equiparado. É muito complicado se estabelecer apenas na base da atitude. É bem mais arriscado sair fora da fórmula pré-estabelecida para vencer, o que deixa tudo bem menos espontâneo. Mas faz parte da evolução.

Uma vez você disse que ‘Highlander’ é um de seus filmes favoritos. Isso poderia indicar, de alguma forma, que ainda o veremos de volta aos ringues?

Disse isso quando ainda lutava. Agora não tem mais tanto fundamento.

Ainda considera as derrotas para Bob Sapp o ponto mais baixo da carreira? Como está isso na sua cabeça após todos esses anos?

(Bob) Sapp ainda é o maior ‘ponto negro’ da minha trajetória. Aceitei todas as outras derrotas, mas aquelas ainda não consegui digerir direito, mesmo após todo esse tempo.

Se um novo desafio com ele (Sapp) fosse confirmado, Mr. Perfect teria motivos para calças luvas novamente?

Contra ele poderia ser possível. Quem sabe…

E os brasileiros no K-1? Ewerton Teixeira tem condições de superar os feitos de Glaube Feitosa e Franscisco Filho?

É bem complicado. Filho tem o nome extremamente sólido no Japão, e ambos (Francisco e Glaube) já foram finalistas do K-1. Acho que só se Teixeira for campeão vai ultrapassar as conquistas de seus antecessores.

Qual vitória teve sabor mais especial em todo esse tempo?

Quando ganhei o Grand Prix, no final de 1999. (Francisco) Filho havia me nocauteado facilmente em uma luta casada pouco antes naquele ano. Após esse ‘trauma’, ninguém esperava que eu pudesse voltar a vencer um Grand Prix. Mas eu o fiz, e de forma espetacular.

O que muito se fala atualmente é que o K-1 gradativamente perde a essência de tempos atrás, e que poderio técnico dos lutadores é deixado cada vez mais em segundo plano. Você concorda?

Hoje em dia não vejo mais muito interesse dos organizadores em saber ‘quem é o melhor’, e sim em saber ‘quem vende mais ingressos’ e ‘quem dá mais audiência na televisão’. É isso.

Se Semy Schilt faturar o pentacampeonato do K-1 neste ano, ele o superará em número de conquistas. Mesmo assim, muito se fala que ele jamais poderia ser considerado melhor que você, e nunca conseguirá ir além do seu legado, mesmo se vencer o GP dez vezes. Isso tem fundamento?

Difícil falar sobre isso. Semy não é má pessoa, mas ele realmente não tem aura de campeão. E não falo isso em sentido depreciativo. Esse fato, inclusive, é bastante prejudicial para ele, porque é o cara mais difícil de ser vencido no K-1, mas sempre surgem dúvidas sobre a sua (dele) real capacidade. Mesmo assim, se dizem que ele nunca vai superar meu legado, considero um grande elogio.

Você assiste MMA também? Quais lutadores gosta de ver em ação?

Gosto bastante, em particular do UFC. Georges St. Pierre e Fedor Emilianenko são meus favoritos. O brasileiro Maurício ‘Shogun’ Rua também é muito bom. Suas habilidades no muay thai são perfeitamente condizentes para as disputas de MMA.

Por falar nisso, você ainda treina com o Fedor? Como começou essa parceira entre vocês?

Não treinamos mais juntos. Nos conhecemos após uma luta. Queria uma foto com ele, e ele queria uma comigo. Depois, treinamos um pouco juntos. Mas o mais interessante foi saber que tínhamos diversas coincidências em comum, como a mesma rotina pré e pós-luta, entre outros detalhes. Usávamos também os mesmos métodos de concentração para entrarmos focados ao extremo nos combates.

Após todos esses anos de socos, chutes, nocautes e glórias, qual palavra sintetizaria sua carreira como lutador?

‘Privilégio’ é a melhor palavra. Sou um grande privilegiado por estar tanto tempo no circuito dos melhores lutadores.

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HL completão de Mr. Perfect

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Clássico absoluto!

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Exclusivo – Ewerton Teixeira e os treinos na Holanda

Dono de carreira meteórica no caratê kyokushin, onde sagrou-se campeão mundial em 2007 (segundo ocidentala conseguir o feito- o primeiro havia sido Francisco Filho, em 1999), Ewerton Teixeira, 28 anos, é a esperança brasileira no K-1. O lutador se dedica à nova modalidade há apenas dois anos, e tem cartel de nove vitórias e duas derrotas. Já conseguiu o título do GP japonês em 2008, e venceu o experiente Jerome Lebanner ano passado.

Neste ano, Teixeira resolveu expandir horizontes, e literalmente foi ‘beber na fonte’ da trocação: realiza intercâmbio na Holanda, ‘Meca’ européia do kickboxing/muay thai e de onde provêm praticamente 90% dos campeões da história do K-1.

No bate-papo a seguir, diretamente de Amsterdã, o carateca conta um pouco da experiência vivida no novo País, além de detalhes técnicos dos treinamentos e as dificuldades em migrar de modalidade.

Como surgiu o convite? Quanto tempo terá a viagem?

Na verdade, não fui convidado. Perguntei para o escritório do kyokushin se era possível treinar um tempo por aqui (na Holanda). Eles entraram em contato e acertaram os detalhes da viagem. Vou ficar dois meses.

Em qual camp você treina e com quais mestres? Como foi o cronograma?

Treino na Mejiro Gym, com o Andre Mannaart (antigo treinador de Remy Bonjasky). De segunda a sexta, fazemos atividades duas vezes por dia, ambas específicas para o kickboxing, além de corrida uma vez por dia. A parte de treinamentos com pesos e condicionamento físico acontece três vezes por semana. Aos sábados, tem ainda outro treino de kickboxing.

Em análise geral, qual a diferença mais brutal em se treinar em um lugar de onde saem lutadores tão renomados?

O que mais me ajudou realmente foi fazer sparring com pessoas bem mais altas, que é a tendência por aqui. Tem muitos pesos pesados para treinar, e isso deixa todo contexto da preparação mais focada no que preciso para as disputas no K-1.

Na Holanda o treinamento dá muito foco no aprimoramento das combinações de mãos e pés. Deu para aprender muitas coisas novas nesse sentido?

Sim, já consigo me soltar mais na parte de sequências. Vim realmente para aprender o máximo que pudesse e conhecer novos métodos de treinamento. Agora tenho dinâmica diferenciada, que certamente será útil para os próximos combates.

E houve alguma inovação, algo que você nunca tinha feito?

Eles fazem bastante treino com saco de pancada ‘dirigido’. Geralmente quando batia no saco de pancada, fazia livre. Achei muito bom esse novo treinamento. É muito intenso e afia as habilidades de forma mais específica.

Quais os detalhes aprendidos você gostaria de destacar?

O treinador sempre pedia para aplicar os chutes circulares (lowkicks, médios e altos) com a canela. Quem vem do caratê é mais acostumado a desferir alguns destes golpes com o pé. Mas não tive muitos problemas nessa parte, me acostumei a chutar com a canela também, e agora posso usar os dois tipos (de chute). O jogo de pernas também é bem diferente e muito mais elaborado. Temos de nos movimentar mais lateralmente para que os ataques e defesas funcionem melhor.

Migrar do caratê para o kickboxing é complexo, pela dinâmica de luta e regras diferentes. No geral, como tem sido esse período pra você

Atualmente temos mais acesso a vários tipos de treinos e treinadores, está um pouco mais aberto nesse sentido. Mas o instinto natural de luta (no caso, do caratê) é bem difícil de ser modificado. Raciocinar e fazer coisas diferentes em cima do ringue – e no calor da luta – sempre é complicado. Por isso, continua sempre uma adaptação complexa.

Sobre a derrota polêmica por nocaute no último K-1 (joelhadas no clinch, contra Alistair Overrem). Deu para tirar alguma lição dessa situação? Você pareceu muito calmo e conformado na coletiva pós-luta.

Acho que a experiência não foi totalmente negativa e devo estar preparado para qualquer coisa. Todos os campeões do K-1 já foram nocauteados um dia. Isso faz parte da vida de lutador. Acho que era um momento pelo qual também precisava passar para me concentrar mais da próxima vez.

Hoje em dia, muito se fala sobre estratégias de luta em níveis avançados. Você acha que isso realmente tem fundamento na prática do K-1? Ou prevalece mais fatores como instinto e vontade?

O lutador que entra com mais vontade é muito mais perigoso, pelo fato de não se importar se vai nocautear ou ser nocauteado. Por outro lado, quem sabe usar bem a tática proposta se torna muito difícil de ser derrubado. Isso tem de ser adaptado de acordo com as características de cada um.

E seu próximo compromisso no K-1, alguma previsão?

Ainda não sei. Não tem boato, mas acho que aparece algo nas próximas semanas. Meu contrato vai até dezembro.

Ainda pensa em tentar o bicampeonato mundial de kyokushin?

Com certeza. Ano que vem volto ao Brasil (Ewerton reside atualmente em Tóquio, no Japão), para me dedicar exclusivamente ao caratê e a disputa do Mundial no fim de 2011.

 

Umacoisa

Tempos de kyokushin

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Exclusiva – Shane Carwin

‘Batalha de titãs’, ‘colisão de gigantes’ e outros jargões característicos provavelmente serão usados para descrever a próxima disputa de título nos pesos pesados do UFC, entre os norte-americanos Brock Lesnar e Shane Carwin, dia 3 de julho, na edição 116 do evento. O desafio marcará o retorno de Lesnar, titular do cinturão, após grave doença intestinal que por pouco não o matou recentemente, e obrigou seu afastamento por meses do octagon.

Nesse período, Shane Carwin literalmente ‘passou o carro’ em grandes nomes da categoria, sempre com golpes de potência avassaladora e nocautes incontestáveis, todos no primeiro round. Com isso, faturou o cinturão interino e se credenciou com méritos de sobra para a unificação com o compatriota.

O lutador de 35 anos de Denver, Colorado (EUA), conhecido também pela façanha de dividir os muitos compromissos como atleta de alta performance paralelamente ao trabalho como engenheiro (isso mesmo), gentilmente encontrou uma brecha na rotina pesada e concedeu esta entrevista exclusiva (e inédita para um jornalista brasileiro), onde conta um pouco sobre o preparo e expectativas para enfrentar o verdadeiro ‘tanque de guerra’ (isso, mais um jargão!) chamado Brock Lesnar.

Você aparece com pequena desvantagem contra Brock Lesnar nas primeiras bolsas de apostas pra o UFC 116. Isso tem alguma relevância positiva ou negativa para você?

Realmente não presto atenção nesse tipo de coisa, a importância disso é um tanto fugaz como fonte de motivação. Brock é um lutador perigoso e um atleta excepcional. Acho que estou apto para o teste mais difícil da minha carreira, e sei que dificilmente sairemos totalmente ilesos da luta.

E qual uma boa tática para vencê-lo? Qual o foco do treinamento?

Eu sei que sou melhor golpeador, e a intenção será essa dentro da minha principal característica. Acho que pelo estilo de treino que fazemos aqui (no Colorado), já posso bater de frente com ele no wrestling também. Há um cuidado especial em equilibrar esses fatores. Mais do que isso, minha vontade de vencer cresce a cada dia. Bebo, como e respiro esse combate, e meu melhor ainda está por vir.

Dentro deste contexto e da importância da disputa pelo cinturão, dá para visualizar mais de um round desta vez? Como está isso na sua mente?

Brock vai cair logo. Quero terminar o combate logo no primeiro assalto, como sempre. Mas o preparo, obviamente, é para uma ‘guerra’ de 25 minutos. Nós dois temos tamanho e força suficientes para liquidar a luta com um só golpe. E aí que está a parte divertida da coisa.

Lensar é realmente um tipo de cara que não faz questão de usar o respeito como forma de conduta. Ele já disse que o seu cinturão (interino) “é de brinquedo”. Qual será sua postura caso ele comece com provocações e artifícios no meio do combate?

Eu não deixarei as tais ‘travessuras’ atrapalhar meu plano de luta. Não vou derramar mais combustível para alimentar esse fogo fraco e forçado. Não tenho ódio dos adversários. Para derrotá-los, simplesmente tenho de ser melhor, mental e fisicamente. Ele pode falar os lixos que quiser, mas terei minha mão levantada no fim da luta.

Qual o segredo para um cara de 120kg ser tão explosivo? Quais aspectos do treinamento sempre são reforçados para melhorar sempre nesse aspecto?

Acho que é algo parcialmente genético, e também conquistado gradativamente com o estilo de treino que fazemos todos esses anos. Tive esse ‘índice de explosão’ testado recentemente, e o resultado foi uma média de alcance e manutenção muito similar ao calibre de lutadores mais leves, como Georges St. Pierre (77kg). O cuidado dos meus treinadores sempre é redobrado nesse sentido, já que para mim funciona como diferencial.

Em uma retrospectiva rápida de todas essas lutas que você venceu no primeiro round, dá pra dizer que alguma foi a mais complicada?

Posso citar duas. Gabriel Gonzaga tem força tremenda em seus golpes. Foi preciso muito estudo e cautela para neutralizá-lo e vencê-lo. (Frank) Mir tem um vasto arsenal. Tive de me focar nessa parte mais abrangente e foi muito difícil permanecer tranquilo com tantos detalhes para cuidar na hora do combate.

Você concorda que atualmente Junior ‘Cigano’ dos Santos desponta como principal adversário brasileiro na categoria? Como você o analisa?

É um combatente legítimo, com técnica, tranquilidade e timing diferenciados. Estou ansioso para vê-lo progredir nos pesos pesados, ao lado de Cain (Velasquez), (Todd) Duffee e outras promessas do UFC. Eles sempre estarão na mira.

Mr. Carwin, muito obrigado pela paciência e pela entrevista. Alguma mensagem para os fãs do Brasil?

Obrigado pela oportunidade. Cresci aqui nos Estados Unidos apenas com conhecimentos no wrestling, mas nos últimos cinco anos tenho verdadeiro ‘caso de amor’ pelo jiu jitsu brasileiro, que aumenta cada vez mais. Até a próxima e grande abraço a todos.

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Pedreira pura!

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UFC 113 – A revanche (instantânea) do ano

Pois é. Da mesma forma que muitos outros palpiteiros, também queimei a língua na revanche do ano do UFC 113. Não porque familiarizo mais com o Machida do que o Shogun (ou vice-versa), mas achei realmente que o combate entre os meio-pesados brasileiros teria um caminho totalmente diferente do que o término pela via rápida em pouco mais de dois minutos.

Se como dizem por aí que o melhor da festa é esperar por ela, Shogun teve em sete meses tempo hábil de sobra para estudar cada movimento do estilo pouco ortodoxo tão característico do carateca. A expectativa estava toda traçada para um combate entre dois dos maiores ‘enxadristas’ do MMA.

Mas no fim das contas, o paranaense deixou de lado boa parte das complexidades táticas e usou o mais puro instinto de ataque para achar a brecha perfeita no jogo calculista do adversário. Assim, faturou o cinturão com nocaute histórico… e praticamente instantâneo.

Pura guerra de nervos!

Nervos que para o ex-campeão, inclusive, também pareceram ter peso-extra. Era visível que toda carga de lutador místico, diferenciado – e invencível – que carregava já começava a extrapolar limites e se tornava um fardo cada vez mais pesado. Nos momentos da transmissão antes da luta em que o focalizaram no vestiário ou no caminho do octagon, seu semblante parecia incomodado e bem longe daquele típico de concentração máxima das últimos desafios.

O desenho do combate comprovou isso. Machida estava desconfortável. Tentou a troca constante de base para confundir o adversário e os já tradicionais passos laterais para escapar das investidas com socos em linha (a prioridade) de Shogun. Mas desta vez, não foi suficiente.

Arrisco dizer que o revés não foi de todo mal para Lyoto. Agora a fase vai ser de aparar arestas e aperfeiçoar cada vez mais o plano de luta na rotina sempre militar de treinamentos.Mas tudo isso com a consciência mais apurada de que todo mundo está sujeito a ter dias ruins. Derrotas inesperadas sempre calejam bem mais do que as anunciadas, e o ‘mito da invencibilidade’, de acordo com as circunstâncias, é benéfico quando vai por água abaixo.

Para o novo campeão, a partir de agora a trajetória requer cautela. O índice de rotatividade de posse do cinturão nos meio-pesados tem se mostrado cada vez maior nos últimos tempos no UFC. O desafio maior começa justamente na tentativa de permanecer com o título. O reinado de Lyoto e do caratê Machida demorou menos de um ano para acabar. E agora, como será?


Uma coisa

Video bacana de treinos do Shogun

 

 

Outra coisa

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Machida, Shogun… e vice-versa

Na evolução dos esportes de combate, sempre há revolucionários e inovadores. Quer você concorde ou não, não tem muito como negar, mesmo em sentido subjetivo, que Lyoto Machida faz parte do segundo quesito.

Agora, às vésperas do tão esperado tira-teima contra o compatriota Maurício Shogun, o fato é: será que chegou a hora de Lyoto ‘pagar’ pelo punhado de inovações que propôs ao esporte? Com tanta gente dedicada em dissecar seu estilo, até que ponto o ‘Dragão’ conseguirá reciclar habilidades e ter ‘cartas na manga’ suficientes para se manter no topo?

A técnica do carateca paraense modificou conceitos dentro do usual que chacoalharam parâmetros vigentes no contexto de essência agressiva do MMA, por apostar com fidelidade nos contragolpes, na paciência para atacar e na quebra constante do ritmo dos adversários a seu favor.

Contra o estilo prático e ‘copeiro’ por natureza de Shogun, em outubro, foi provavelmente a primeira vez que Lyoto não se sentiu confortável dentro do jogo de um oponente. Suas três assinaturas (o direto e rasteira, a joelhada engatilhada com rápida troca de base, e o direto de esquerda em deslocamento diagonal) estiveram presentes, mas não surtiram o mesmo efeito.

Shogun acertou a mão na estratégia no aspecto de ficar mais plantado no octógono e apostar no timing diferenciado (de muitas vezes ameaçar duas vezes antes de desferir algum de seus chutes), como um tipo de antídoto para o jogo esgrimista e de contra-ataques do campeão.

Mas perdeu a meada da insistência necessária para minar mais as pernas do adversário com a tática bem pensada dos lowkicks, fundamento básico e tratado como ciência pelo kyokushin e demais estilos de caratê de contato, mas praticamente negligenciado nas escolas tradicionais da modalidade, na qual estão as raízes de Machida.

Sábado, o desafiante sabe que aparar as arestas de uma estratégia ‘quase’ providencial e aumentar o volume de golpes nos primeiros rounds pode ser a chave do sucesso, caso o combate vá mais uma vez para as mãos dos jurados.

Sábado, o campeão sabe que estará em jogo muito mais do que um ego ferido por uma decisão controversa por pontos. Estará em jogo toda reputação construída como um dos inovadores do esporte que mais cresce no mundo.

Bem-vindos à luta do ano!

Uma coisa

Open Workout (em inglês):

 


Outra coisa

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Entrevista exclusiva – Ray Sefo

Nos muitos capítulos da história do K-1, o nome Ray Sefo sempre foi denominador comum para qualquer equação do tipo luta + irreverência. O estilo aguerrido, focado no boxe e temperado com as performances diferenciadas do lutador neozelandês conquistou fãs no mundo todo, e o mantém na ativa até hoje como um dos atletas mais carismáticos do evento japonês.

Aos 39 anos e atualmente radicado em Las Vegas (EUA), Sefo segue repleto de compromissos profissionais e não quer saber ainda de aposentadoria. Atualmente, se prepara para a luta contra o romeno Inout Iftimoaie, dia 21 de maio, pela etapa do K-1 World Grand Prix em Bucareste (Romênia).

Nesta entrevista exclusiva, o experiente atleta fala um pouco sobre a vivênciade quase 100 combates no cartel, os treinos com a equipe de Randy Couture, planos no MMA e muito mais.

Como estão os treinos para a próxima luta? Já tem a estratégia principal em mente?

O preparo está ótimo e dentro do cronograma. Em termos de tática, será bem simples. É subir no ringue e ir forte. Depois de tantos anos, não tem mais o que complicar. Acho que o adversário também se enquadra nessas características. Assim, espero o de sempre: empolgação, espontaneidade e mais uma vitória.

Já que a simplicidade vai ser a linha de conduta, podemos esperar um Ray Sefo mais comportado e contido nesse compromisso? Lutar na casa do adversário (em Bucareste, na Romênia) teria alguma influência nisso?

O que você quer dizer com mais comportado e contido ‘desta vez’? Sempre sou assim, meu amigo! Brincadeira. Só vou lá e faço meu trabalho no estilo Ray Sefo de ser. Adoro a performance que acompanha este esporte, e sempre dou aos fãs o que eles esperam quando estou no ringue. Salvo as devidas proporções, quero ser lembrado algum dia como um dos seguidores de Muhammad Ali, Sugar Ray Leonard e outros malucos do gênero. É nesse quadro de personalidade que me encaixo.

Por falar nisso, como um dos ‘reis da performance’ do K-1 viu a luta de Anderson Silva contra Demian Maia no UFC 112? Toda a polêmica teve fundamento?

Os dois são excelentes. Mas naquela noite, Anderson parecia fora de foco. Não sei se necessariamente exagerou. Chamar (o oponente) para entrar na luta e tentar desconcentrá-lo faz parte de todo ‘circo’, cara. Nesse caso, parece que houve xingamentos e ofensas pessoais. Isso já leva as coisas para outro patamar. Anderson não lutou da forma como as pessoas esperavam e assim deu margem para a avalanche de críticas, o que é compreensível. Quando se está no topo, sempre esperam algo mais de você. E se isso não acontece, as cobranças vêm ainda mais intensas.

Você treina atualmente com a equipe de Randy Couture (Xtreme Couture). Como aconteceu esse contato?

Nos conhecemos em um restaurante na esquina de casa (em Las Vegas), por amigos em comum. Conversamos imediatamente sobre a parceria com os treinos. Randy é viciado nisso. Ele me convidou para conhecer a academia, e desde então fico por lá em tempo integral. Couture é realmente uma máquina de combate. É o típico cara que realmente ama o que faz. É muito engraçado vê-lo ‘amassar’ jovens lutadores que pensam que treinam duro e dão conta de qualquer recado.

E a ideia de aumentar o cartel no MMA ainda está nos seus planos? (Sefo tem duas lutas e duas vitórias na modalidade)

Com certeza. Tenho luta pré-agendada para 17 de julho (provavelmente no Japão), e outra no Strikeforce, para o fim de agosto. Mas por agora o foco é outro, tem de ser uma coisa de cada vez e bem planejada. Não sou mais garotão, sei das minhas limitações. Preciso incorporar elementos ao meu jogo no chão até ficar bom o suficiente. Aí posso até pensar em me colocar na briga por algum título. E não digo isso com arrogância. Sou um lutador que vive para se manter sempre entre os melhores. É isso que me mantém na ativa durante todos esses anos.

Você acompanhou de perto a carreira – e se tornou grande amigo – dos brasileiros Glaube Feitosa e Francisco Filho. Como você vê agora a jornada de Ewerton Teixeira no K-1. Ele tem condições de ir além dos antecessores?

Glaube e Filho são como irmãos para mim. São grandes atletas, com estilos de peculiaridades interessantes, além de muito talento. Teixeira vem da mesma escola. Mas agora está na fase de maturação para o kickboxing/K-1. Ele ainda tem muito o que aprender com a vivência no ringue.

Ray, pelos seus planos você ainda parece longe de aposentadoria. Podemos então prever uma reedição daquele combate épico contra seu conpatriota Mark Hunt (2001), com muita provocação de ambos os lados e aquela pancadaria insandecida com a guarda baixa?

Olha, não sei se isso aconteceria de novo, são outros tempos. A não ser que algum promotor se proponha a injetar uma grana pesada para tentar convencer nós dois a ter aquela coragem de novo. Talvez em uma nova luta façamos algo totalmente diferente. Quando você tem dois samoanos no mesmo ringue, qualquer coisa maluca pode acontecer.

Os fãs japoneses são malucos por natureza. Qual a coisa mais engraçada que você já viu por lá nesse sentido?

Eles são os melhores e mais dedicados (fãs) do mundo. Acho que a coisa mais bizarra que vi por lá aconteceu em um evento do Pride. O Inoki (Antonio, lendário promotor de lutas nipônico e ex-lutador) estava na beira do ringue. As pessoas passavam perto e praticamente suplicavam para que lhes esbofeteasse a cara. É um tipo de tradição. Quando ele faz isso, consideram um tipo de batismo de boa sorte. Ele ‘enchia a mão’. Foi bordoada para todo lado. E quem apanhava ainda agradecia.