A fisioterapia no mundo das lutas

Dinamometria Isocinética - Avaliação

Fevereiro 2nd, 2010

Olá pessoas...

Vou falar sobre como é feita a avaliação para se descobrir desequilibrios muculares...

A avaliação isocinética permite o estudo da função dinâmica dos músculos através da avaliação quantitativa do arco de movimento, da força e de variáveis do desempenho muscular.

Esta avaliação consiste na aplicação de uma resistência variável denominada acomodativa, a uma contração muscular voluntária máxima durante movimento angular constante. A velocidade do movimento é fixa, controlada e pré-selecionada.  Avalia a força muscular desenvolvida pelos grupos musculares através do pico de torque, da capacidade do músculo em desenvolver força ao longo do arco de movimento (potência); do trabalho total que é avaliado pela área da curva do torque e arco de movimento (quanto mais uniforme a curva melhor é a distribuição de força ao longo do arco de movimento); resistência muscular através do índice de fadiga (capacidade em manter determinada atividade).

A avaliação pode ser aplicada no eixo das articulações de tornozelo, joelho, quadril, punho, cotovelo, ombro e coluna.

Ao realizar o teste o indivíduo obtém os seguintes dados:

• Força máxima e média;

• Força desenvolvida em relação ao peso corporal;

• Comparação da força entre os lados direito e esquerdo (lesado e não-lesado);

• Potência do músculo testado;

• Relação de equilíbrio entre os músculos que realizam o movimento;

• Resistência do músculo testado.

Por permitir analisar esses dados, a avaliação isocinética mostra-se adequada para avaliação muscular dinâmica em relação às outras existentes. O dinamômetro isocinético permite a avaliação objetiva e direta. Com tais dados é possível também definir deficiências de força, potência e resistência de um grupo muscular.

Avaliação

O avaliador escolhe as velocidades necessárias para que se possa conseguir os dados acima e o paciente realiza o exercício para a articulação que precisa ser testada, desempenhando sua força máxima. A resistência do dinamômetro isocinético varia de acordo com a força aplicada pelo paciente; portanto, quanto mais força fizer, mais resistente o aparelho fica e vice-versa. A isso chamamos resistência acomodativa.

Desta forma, a avaliação se realiza de forma segura, pois o aparelho sempre vai responder de acordo com a capacidade individual, com uma carga adequada de trabalho. Diferentes movimentos podem ser avaliados e tratados e todas as principais articulações do corpo são capazes de serem avaliadas/tratadas. O aparelho pode ser usado também para treinamento muscular com resultados significativos no ganho de força e equilíbrio muscular.

Vantagens

• A avaliação oferece dados bastante objetivos e válidos que permitem direcionar um programa de treinamento e/ou reabilitação;

• Há diminuição da sobrecarga muscular, visto a resistência do aparelho contra o movimento a ser realizado. Portanto, se o paciente apresentar dor durante o movimento ele responderá com diminuição de força e o aparelho imediatamente diminuirá a resistência fornecida, oferecendo acomodação para dor e fadiga;

• Permite que o músculo seja exercitado com o máximo de força durante todo o movimento, uma vez que a velocidade do exercício é controlada;

• Permite reprodutibilidade de teste para comparação de resultados antes e depois de um período de reabilitação/ treinamento;

• Permite isolar grupos musculares, determinando onde ocorrem os déficits.

Indicações

• Para atletas, a fim de avaliar risco de lesões e orientar seu programa de treinamento/ reabilitação;

• Para pessoas que sofreram lesões do sistema músculo–esquelético (músculos, articulações, ligamentos, tendões);

• Para indivíduos que foram submetidos a cirurgias - para avaliação dos resultados pós-reabilitação.

Contra-indicações

A avaliação está contra-indicada em situações de muita dor, limitação severa da amplitude articular, inchaço importante, lesão muscular aguda, luxação aguda ou hipertensão arterial não controlada, problema discal agudo (lombalgia aguda, por exemplo), fratura não-consolidada, gravidez, epilepsia, aneurisma, problema pulmonar ativo, cirurgia recente etc.

Abaixo a figura de um Dinamômetro Isocinético:

foto

Demonstração de como é utilizado para avaliação do músculo quadriceps:

foto

Utilizamos essa tecnologia a nosso favor para avaliar o desempenho do atleta Mauricio Shogun.

No próximo falarei sobre a técnica utilizada a algum tempo para manter/ganhar força e flexibilidade com o Shogun.

Por enquanto é isso pessoal.

Abraço a todos

 

Desequilíbrio Muscular

Fevereiro 2nd, 2010

Olá pessoas...

Como relatado anteriormente, falarei hoje  sobre o desequilíbrio muscular...

A repetição de determinados tipos de atividade com posições, movimentos habituais, o período e a sobrecarga de treinamento, provocam um processo de adaptação do organismo, resultando em efeitos prejudiciais para a postura, favorecendo o desequilíbrio muscular.

Os desequilíbrios musculares tornaram-se grande alvo de estudos e discussões dentro da Medicina Desportiva, como prováveis responsáveis pelo alto índice de lesões entre os atletas. Porém, boa parte dos estudos que se propõem a discutir o assunto não apresenta fundamentações científicas.

Sabe-se que a estabilidade corporal, responsável pelo alinhamento do corpo, é diretamente ligada ao controle do Sistema Nervoso Central (SNC), pelo feedback sensorial das estruturas osteoligamentares e pelo controle da musculatura ativa. Logo, qualquer disfunção em um desses fatores vai promover instabilidade, a qual será compensada pelo corpo de alguma forma. Uma dessas formas é causando um desequilíbrio entre músculos. De modo que os músculos que são mais utilizados, seja em tarefas do dia-a-dia, seja por práticas esportivas, tornam-se mais fortes e mais encurtados. Por conseqüência, ocorre um enfraquecimento e estiramento dos músculos antagonistas.

O desequilíbrio muscular pode ser explicado pela diferença de força e flexibilidade entre grupos musculares que atuam sobre uma mesma articulação, isto é, ocorre quando determinado grupo muscular apresenta-se mais forte e/ou mais tensionado do que seu respectivo.

O desequilíbrio pode ser fator causador ou estar associado a diversos fatores, como: uso inadequado, repetição excessiva, má postura, postura antálgica (postura pra se livrar da dor), patologias articulares, patologias musculares, contraturas ou aderências, déficits neurológicos, desuso ou atrofia, prática indiscriminada de atividades esportivas, dentre outras.

Como fator causador, os desequilíbrios ocorrem, basicamente, pela promoção de um desalinhamento postural por alterar o posicionamento das estruturas ósseas ao aproximar origem e inserção (encurtamentos); ou promover sobrecargas excessivas em determinadas articulações ou parte delas, ligamentos e outras estruturas, podendo causar lesões agudas ou crônico-degenerativas.

Como fator secundário, pode ocorrer como conseqüência de uma lesão inicial. Nesse caso, destacam-se as lesões traumáticas e as neurológicas que podem facilitar ou inibir as contrações musculares de determinados músculos, como, por exemplo, é o caso da espasticidade que atinge grupos musculares predominantes, inibindo a reação de seus antagonistas.

O processo de instalação de um desequilíbrio muscular, normalmente, não é perceptível ao indivíduo até que suas conseqüências comecem a se manifestar, normalmente em forma de quadros álgicos e/ou deformidades. E, levando-se em consideração o complexo de cadeias musculares que compõem o corpo humano, o processo será seguido de uma série de compensações locais e a distância, transformando o problema inicial em complexo processo de reabilitação postural.

De forma simplificada, pode-se dizer que o tratamento dos desequilíbrios consiste em promover um reequilíbrio das cadeias musculares alongando o que está encurtado e fortalecendo o que está fraco.

No próximo post falarei o que fazemos para avaliar, prevenir e tratar esses desequilíbrios no atleta Mauricio Shogun.

Até mais...

Abraço a todos

Fisioterapia Desportiva - Prevenção e Atuação

Fevereiro 2nd, 2010

Olá pessoas...

Escrevi anteriormente que a fisioterapia desportiva trabalha na prevenção e não só na reabilitação.  O trabalho preventivo é realizado com base no levantamento dos fatores de risco das lesões que dizem respeito à modalidade da área esportiva específica, no nosso caso o MMA.

Por mais parâmetros que tenhamos em relação às lesões, pode acontecer que fuja de nosso controle e acabe por acontecer algum tipo de lesão. Então nós não temos 100% de certeza que não acontecerá nada com o atleta. O que fazemos então é tentar diminuir o máximo possível os riscos para ele.

Alguns dos aspectos analisados para realizar a prevenção são:

· Saber quais são as lesões mais frequentes na prática do MMA;

· Conhecer e identificar o mecanismo de lesão (contato direto, sobrecargas, desequilíbrio muscular);

· Faixa etária do grupo;

· Analisar o ambiente em que são realizados os treinos e etc.

Não devemos esquecer que o preparo físico do atleta não é tudo que se deve avaliar, mas saber também que a ansiedade e distúrbios psicológicos também são fatores predisponentes a lesões.

Sabe-se que na maioria das lesões durante a prática esportiva ocorrem como resposta a uma composição inadequada de forças, de modo que é essencial o fisioterapeuta conhecer profundamente a biomecânica (mecânica do corpo) para prevenir-las.

Podemos citar como medidas preventivas os seguintes itens:

· Preparo adequado físico e mental;

· Uso de materiais adequados;

· Conhecimento acerca dos fatores climáticos (tipos de lesão no frio e calor);

· Proteção das áreas mais suscetíveis;

· Repouso adequado;

· Pratica de atividades compensatórias;

O esporte de alto nível determina padrões corporais que extrapolam barreiras geopolíticas, sociais e culturais. Estas peculiaridades resultam em alterações posturais que estão associadas à eficiência do gesto desportivo, porém, em longo prazo, podem evoluir para processos mórbidos que limitam a prática de atividades físicas regulares.

Nosso corpo está em constante busca de equilíbrio. Quando ocorre um desequilíbrio em algum segmento corporal, o corpo gera um desequilíbrio oposto através de compensações visando à harmonia corporal.

Os gestos esportivos, devido à técnica e à especificidade, geram compensações no corpo do atleta, com padrões corporais específicos da modalidade praticada, e na maioria das vezes são benéficas para o atleta, aumentando a eficiência do gesto esportivo.

Os atletas geralmente são submetidos a uma rotina intensa e específica de exercícios físicos. A repetição, a sobrecarga e a execução de técnicas incorretas podem provocar desequilíbrios incapacitantes, podendo evoluir para processos crônicos que limitam o indivíduo para a prática de sua atividade. Uma causa muito comum de lesões em atletas é o desequilíbrio muscular entre a musculatura superficial e a musculatura mais profunda do corpo. Os músculos mais superficiais são responsáveis pelos movimentos articulares, pelos principais gestos esportivos. Mas eles dependem dos músculos profundos para darem estabilidade às articulações, e potencializarem estes gestos.

Quando há um desequilíbrio, este se torna um ciclo vicioso, pois o músculo que está mais forte fica cada vez mais forte, e o que está mais fraco fica cada vez mais inibido. Um exemplo típico é a diferença de força entre o reto abdominal e o transverso do abdome.

O desequilíbrio pode ocorrer também entre membros (ex: perna esquerda mais forte do que a perna direita), no mesmo membro (ex: vasto lateral mais forte do que o vasto medial da mesma perna), ou entre segmentos corporais. E podem ser por diferença de força, trofismo, flexibilidade.

Nós fisioterapeutas, junto com a equipe temos que fechar o cerco em relação aos riscos de lesões oferecidos ao atleta durante toda sua preparação e principalmente, é dever do fisioterapeuta avaliar possíveis desequilíbrios que afetam  sua biomecânica.

Falarei mais sobre desequilíbrio muscular na próxima vez...

Até a próxima pessoal.

Abraço a todos

Fisioterapia Desportiva

Janeiro 21st, 2010

Olá pessoas....

É sempre bom começar pelo começo. ;D

Hoje vou falar um pouco sobre a atuação da fisioterapia desportiva...

Desde já deixo bem claro que não dou diagnósticos, muito menos tratamento via internet, isso não é nada ético e muito menos de bom senso. Por isso não venham pedir o que você poderia fazer caso tenha um entorse no tornozelo, pedir ajuda se seu ombro ou joelho ficam fazendo barulhos estranhos. A resposta sempre será, procure um médico especializado e consulte um fisioterapeuta de sua confiança.

Vamos lá então.....

A Fisioterapia Esportiva é um componente da Medicina Esportiva, sua prática e métodos são aplicados no caso de lesões causadas por esportes, com o propósito de recuperar, sanar e prevenir as lesões. A fisioterapia esportiva tem como objetivo principal devolver o atleta o mais rápido possível para a prática esportiva após uma lesão.

O trabalho da fisioterapia desportiva é um pouco diferente dos outros, pois tudo tem que ser muito rápido e funcionalmente mais efetivo, pois o atleta mais do que qualquer outro indivíduo precisará executar todas as funções do seu corpo, músculos, ossos e articulações, no máximo de potência e amplitude para execução perfeita de todos os movimentos.

Dentro da fisioterapia do esporte é também importante a integração do trabalho estático com o treinamento do indivíduo através da reeducação dos atos motores específicos da modalidade. O fisioterapeuta através da avaliação clínica e funcional individualizada do atleta pode colaborar com o treinamento, orientando os indivíduos e respectivos treinadores quanto aos possíveis desequilíbrios musculares presentes e o desempenho biomecânico do esporte em questão.

O aspecto preventivo no tratamento das lesões esportivas quer se discuta atividade física de alto desempenho quer como mero coadjuvante de tratamentos médicos é importante. Com a finalidade de atuar preventivamente a fisioterapia precisa redirecionar seu foco de atenção, usualmente centrado nas lesões já instaladas, para situações com possível risco para o aparelho músculo-esquelético.

Dentre as lesões mais comuns estão às tendinites, lesões ligamentares, contusões e distensões, entorses, luxações e subluxações, fraturas e abrasões (Desgaste da pele por meio de algum processo mecânico inusital ou anormal), bolhas e calos, e cortes em geral.

A Fisioterapia Desportiva é uma das áreas de atuação do profissional fisioterapeuta na atualidade, o profissional inevitavelmente está sujeito a inúmeras e constantes pressões e cobranças em termos dos resultados de seu tratamento para um retorno funcional e no menor tempo possível do atleta à sua prática desportiva. As situações esportivas expõem ao mesmo tempo, sobrecargas posturais, forças excessivas e repetitividade.

Basicamente é isso que nós fisioterapeutas da área desportiva fazemos, tentamos prevenir  e tratamos as lesões para que os atletas de alto rendimento volte o mais rápido possivel para seus treinamentos e competições.

Até a próxima...

Abraço a todos

 

Vamos inaugurar então...

Janeiro 21st, 2010

Olá pessoas...

Primeiramente gostaria de me apresentar, meu nome é Fabiano Ogawa, fisioterapeuta, com especialização em fisioterapia ortopédica, traumatológica e Desportiva.

Minha carreira se iniciou como todo fisioterapeuta, dentro de uma clínica tratando todo tipo de pacientes com diversas patologias em diversas áreas. Com o tempo veio à necessidade de se especializar, como desde o inicio da faculdade eu já tinha decidido que iria cuidar de atletas não restaram dúvidas, minha área seria a desportiva.

Como estamos no país do futebol sempre me imaginei sendo fisioterapeuta de algum time de futebol, mas para minha grande surpresa acabei caindo em uma academia de lutadores de MMA, naquele tempo ainda academia de Vale Tudo.

Trabalhava em uma academia normal de musculação, que acabou fazendo parceria com a academia Chute Boxe, grande conhecida de todos nós. Sim, eu já era amante desse grande esporte, já o acompanhava desde 1994 quando tudo começou.

No ano de 2003 começa minha história dentro desse esporte. Chega até mim um ainda quase desconhecido lutador com o nome de Mauricio Shogun falando que estava com dores insuportáveis na costela, não agüentava nem respirar direito, que teria que lutar em 2 semanas, faria sua primeira luta no Japão no extinto PRIDE e teria que lutar de qualquer jeito. Pensei comigo, ferrooou...

Assim começou a minha jornada de trabalho como fisioterapeuta dentro do mundo das lutas. Conheci a academia Chute Boxe, o “mestrão” Rudimar Fedrigo o seu braço direito e esquerdo mestre Rafael Cordeiro e todos os lutadores que faziam parte desta grande academia.

A partir de hoje estaremos juntos aqui no Super Lutas, falarei sobre a fisioterapia geral e desportiva, sobre lesões, tratamentos já realizados e algumas historias que rolam nos bastidores.

Então, estão todos convidados a participar desse espaço cedido a esse que vos fala para comentar, dar opiniões, sugerir temas ligados a Fisioterapia e ao Atleta Mauricio Shogun, ah não esquecendo, elogiar também pode!!! :yes:

Sejam todos bem-vindos ao blog Fabiano Ogawa na Fisio.

Abraço a todos

Super Lutas Canais de Atendimento Blogs Outros Links Outros Canais
Nossa História Fale Conosco Blog do Carlão Barreto Videos Super Lutas no Orkut
Quem Somos Você Reporter Blog do Fabiano Ogawa Entrevistas Super Lutas no Twitter
Parcerias Anuncie no Super Lutas Blog do Stefane Dias Fórum Super Lutas no Facebook
  Blog da Redação    
www.superlutas.com.br - 2007-2010 - Todos os Direitos Reservados
©2010 by Fabiano Ogawa | Contato